Figuras do Chiado

Vasco Santana

VASCO SANTANA E BARBEARIA CAMPOS

O célebre estabelecimento em frente à estátua do Chiado, tem na fachada a palavra Cabelleireiro, dado que era a grafia antiga, mas também considerando a designação do tempo. Trata-se, porém, da Barbearia Campos. Fundada em 1886, manteve esta designação até 1910, quando a sociedade Campos & Costa foi dissolvida, passando o negócio em exclusivo para o sócio fundador José Augusto de Campos (1856-1922) e daí em diante permanecendo nesta família. São mais de 130 anos de atividade. O mural de fotografias de gente célebre, muito bem penteada, denuncia o orgulho de terem sido fieis clientes – bigode, barba e cabelo – personalidades da vida portuguesa como Ramalho Ortigão, Eça de Queiroz, Aquilino Ribeiro, Almada Negreiros, António Ferro, Vasco Santana entre outros. Em 2016, houve obras, as lâmpadas fluorescentes foram substituídas por lustres, os móveis foram restaurados, preservou-se a bancada e os lavatórios em mármore de Carrara, os tetos em estuque e o chão original em mosaico. Os toques de requinte são sem dúvida os espelhos italianos e as cadeiras de barbeiro do início do século XX, extensíveis, cromadas, com as plataformas para os pés ricamente decoradas com arabescos. Digno de curiosidade é também o espólio de instrumentos que compunham a antiga forma de cortar cabelo e aparar barba e bigode, hoje para exposição.

Neste friso de celebridades, está Vasco Santana, célebre ator, nascido na Rua Direita, nº185, em Benfica, no mês de janeiro de 1898, filho do escritor e proprietário Henrique Augusto Sant’Ana (1873-1950). Vasco foi pai do ator Henrique Santana, filho de Arminda Martins (1924). Foi ainda casado com a atriz Mirita Casimiro (1941-46), tendo formado então uma dupla de representação muito popular.

O cinema permitiu-lhe afirmar-se junto do grande público como genial comediante e argumentista, protagonizando filmes como “Canção de Lisboa” (1933), em que contracena com Beatriz Costa (na foto) e António Silva; “O Pai Tirano” (1941), com Francisco Ribeiro (Ribeirinho) com tiradas humorísticas de antologia e “O Pátio das Cantigas” (1942), onde representa o extraordinário monólogo com o candeeiro ou os diálogos com António Silva, repletos de trocadilhos – “Ó Evaristo, tens cá disto?”… “O Pai Tirano” é um filme do Chiado, passado entre os Armazéns Grandella e a Pensão na Bica. Os Grandelinhas protagonizam o teatro dentro do teatro, passando pela Perfumaria da Moda com a extraordinária Tatão (Leonor Maia).

A representação teatral acompanhou Vasco Santana durante toda a sua carreira, fazendo-o quase até ao fim da sua vida, e, cada vez que subia ao palco, oferecia ao público a alegria e a boa-disposição que o caracterizavam. Mas não fez só comédias, entrou também em algumas peças dramáticas, demonstrando um talento extraordinário, dominando com mestria as técnicas de representação, sabendo como ninguém improvisar. A partir dos anos de 1947 e 1948, conheceu o sucesso na rádio, criando personagens como Zequinha, que contracenava com Lelé, Irene Velez. Quer como cliente da Barbearia Campos, quer como popular personagem do Chiado, Vasco Santana participou, no fundo, no mais célebre dos filmes do Chiado – “O Pai Tirano”, onde representa magistralmente a figura de Mestre José Santana.

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