Olhares

Olhares dos poetas e dos escritores sobre o Chiado.

Calçada portuguesa no Largo do Chiado (1940), António Passaporte 1901-1983 © Arquivo Municipal de Lisboa (Cota: PAS015272)

“Encontrar-se no Chiado, significa ter a fina flor da graça, a vivacidade conceituosa e costumes dissipados. (…) Ó lisboa, tu não tens caracteres, tens esquinas!”
(Prosas Bárbaras, 1903 )

Eça de Queiroz (1845-1900)
Fernanda de Castro, coleção particular

Chiado imenso que em dois palmos cabe, / pedacinho do mundo a palpitar… / Coração da cidade que nem sabe / do que é feito esse encanto singular.

(Lisboa com seus poetas, 2000)

Fernanda de Castro (1900-1994)

Voltemos ao Chiado. É já quase meio-dia; / Vamo-nos encostar à porta da Havaneza, / E veja-se passar Lisboa, essa burguesa, / Que vai de risca ao meio e vai de fato preto / Ao sport da uma hora – à Igreja do Loreto. 
(No Chiado, 1911)

Guerra Junqueiro (1850-1923)
Estátua de Fernando Pessoa à porta da "Brasileira do Chiado"© CNC-Adriano Rodrigues

Ó sino da minha aldeia, / Dolente na tarde calma, / Cada tua badalada / Soa dentro de minha alma.”

“O sino da minha aldeia, Gaspar Simões, é o da Igreja dos Mártires, ali no Chiado. A aldeia em que nasci foi o Largo de S. Carlos, hoje do Directório e a casa em que nasci foi aquela onde mais tarde (no segundo andar, eu nasci no quarto) haveria de instalar-se o Directório republicano. (Nota: a casa estava condenada a ser notável mas oxalá o 4º andar dê melhor resultado que o 2º) “.
(Carta a João Gaspar Simões, 1931)

 

Fernando Pessoa (1888-1935)

“O Chiado – resistirá. Enquanto existirem a Hananeza, a Brasileira, a Bertrand, têmo-lo vivo!” (Peregrinação em Lisboa, 1993)

Norberto de Araújo (1889-1925)