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Ciclo ‘Conundrum’ – Pedro Melo Alves & Ignaz Schick

Nome que temos vindo a encontrar cada vez mais vezes no fluxo das movimentações que mais interessam nos interstícios do jazz, da improvisação, da composição, do rock mais folgado e das propostas inauditas, Pedro Melo Alves junta-se à ZDB para dar novo fôlego ao seu ciclo Conundrum começado em 2018, continuado em 2019 e desde então em hiato.

Nestes dois anos, e em contracorrente com a dormência e tensão especulativa da pandemia, Melo Alves arrepiou caminho e tem idealizado novas formas e linguagens que tiveram um momento particularmente marcante com a actuação do seu magnânimo Omniae Large Ensemble. Avançado ao longo de 2022, Melo Alves regressa a este mistério pessoal que é o Conundrum, proposta brava que põe o baterista em duo com alguém que admira e com quem nunca tenha actuado antes, num total de seis encontros. O novo ciclo aconteceu em Julho com Sara Serpa, em Setembro irá acontecer com Ignaz Schick e em Novembro com Audrey Chen. Sem qualquer plano prévio ou estratégia, quebra-se assim o silêncio com uma música nascida de forma orgânica e aberta a inúmeras possibilidades, a vislumbrar um infinito.

Após celebrada comunhão com Sara Serpa, Pedro Melo Aves volta a guinar este seu Conundrum em direcção inesperada com este convite endereçado a Ignaz Schick. Compositor, improvisador, artista sonoro e visual com epicentro bem activo em Berlim, Schick tem agitado desde 1995 o panorama dessa cidade, fora da movida clubbing, num périplo que da sua própria música se expande para a curadoria, promoção e divulgação em variadas frentes de experimentação e criação. Enquanto músico, recorre a um manancial de ferramentas que passam por gira-discos, samplers, processadores de efeitos, objectos mundanos e várias formas de amplificação para se mover, sem qualquer tipo de arrivismo, por entre interstícios das músicas aventureiras, do noise ao reducionismo, do jazz à electroacústica. Entre a adaptabilidade ao contexto e a exortação à fuga do mesmo, Schick encontra vias para a mutabilidade contínua dessas mesmas escolas e linhagens, num aprumo de escuta e reacção que o levou a colaborar com gente tão ilustre quanto Don Cherry, Toshimaru Nakamura, Keith Rowe, Chris Abrahams ou Andrea Parkins. Percurso bem dignificante e novamente enriquecido e enriquecedor, num encontro que pode muito bem vê-lo a entrar por descargas de ruído abstracto, meta-percussões, estilhaços alienantes do quotideano e electrónica do vazio. Ou não. Tudo em aberto. BS

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