“ALMA, CARNE E OSSOS”
…”As contingências que, repentina e drasticamente se nos apresentaram nestes últimos tempos, levaram-nos a ver e a viver de uma forma inesperada.
O cordial e amigável dos primeiros tempos de isolamento, povoado de mensagens e telefonemas deu lugar a um egocentrismo sem igual, sem compreensão nem discernimento.
Não nos olhamos nos olhos, não nos beijamos, não nos tocamos e esse distanciamento, essa separação deixa-nos melancólicos e vazios.
Melancolia dos olhares, alma que sente, carne que se dá, ossos que ficam e que doem por já não haver mais nada.
Melancolia, mais que tristeza é um mal indizível, tal como Freud afirmou “No luto, é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio eu”, pois a verdadeira melancolia é quando se perde a vida enquanto ainda se vive.”…
Hilda Frias, Curadora