Agenda

Exposições
1 abr a 3 mai 2024
Centro Nacional de Cultura - Sala Sophia de Mello Breyner e Francisco Sousa Tavares
Rua António Maria Cardoso, 68 - 1º, 1249-101 Lisboa

A Raiz & Utopia que o 25 de abril trouxe – Espólio de uma revista que sonha e que pensa

Exposição patente ao público no Centro Nacional de Cultura, de 1 de abril a 3 de maio de 2024

No âmbito dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, o Centro Nacional de Cultura, que tem vindo a tratar o espólio da revista Raiz & Utopia assinala a importância da publicação como momento fundamental de reflexão e debate na fase de estabilização da democracia, através de uma Exposição que está patente na sua sede entre 1 de abril e 3 de maio e de um Debate sobre a revista que terá lugar no dia 18 de abril às 18h, também nas instalações do CNC.

A revista Raiz & Utopia surgiu na Primavera de 77. Vivia-se então em Portugal o efeito de um confronto – se não sangrento, pelo menos violento -, de que os saneamentos e as campanhas de dinamização cultural do MFA foram aspetos desgastantes que, mesmo à distância, mais parecem anedóticos.

A sociedade estava cansada de “palavras de ordem” e de um excesso de politização, o que explica o amplo movimento de adesão que se criou em torno da revista.

Ao manifesto Raiz & Utopia (que teve três autores, António José Saraiva, José Baptista e Carlos Medeiros, os dois primeiros já desaparecidos) reagiram por escrito dezenas de intelectuais e políticos de vários horizontes – e essa foi uma primeira grande vitória da Raiz & Utopia a que se viriam a somar outras semelhantes ao longo da sua existência, que terminou no Outono de 81.

Adelino Amaro da Costa, Alfredo de Sousa, Nuno de Bragança – para só citar estes, também desaparecidos tão antes do tempo – saudaram, entre muitos outros, a “pedrada no charco” que era o Manifesto publicado no nº 1 e que aqui se resume com o texto na contra-capa desse número, hoje esgotadíssimo:

Os burocratas, tecnocratas e salvadores políticos dos vários mundos, independentemente das suas diferenças de situação e doutrina, estão empenhados em consolidar um sistema em que a grande maioria dos homens executa mecanicamente as decisões tomadas por alguns. Torna-se cada vez mais urgente restituir a cada homem a sua humanidade, quadriculada e esquartejada num mundo cada vez mais programado. “Raiz & Utopia” não propõe uma nova doutrina no plano político e ideológico em que se exibem os actores do dia. Não contribui para o discurso dominante. Tão pouco alinha com o que é moda chamar-se “ciência”. Recusa a ilusão do “progresso” considerando que a famosa “marcha da humanidade” é um comboio num túnel em forma de funil. Os problemas de raiz estão hoje escamoteados no discurso tecnoburocrata. É preciso mudar radicalmente a problemática a partir do quotidiano, transformar a atitude do espírito perante as coisas. A utopia não é um impossível: é um Norte, a Leste ou a Oeste das ilusões confortáveis que hoje são servidas como ópio às massas resignadas.

Estava-se em 1977. Ainda não se vislumbravam os contornos da sociedade da informação, tal como hoje a conhecemos, desejamos e tememos – e no entanto há quase trinta anos anunciava-se já o tempo que hoje vivemos.

Raiz & Utopia – de que Helena Vaz da Silva assegurou a direção a partir do nº 5 até ao fim – foi, de facto, pedrada no charco enquanto existiu. Quando parou, não foi por falta de leitores, mas por se ter entendido que se tinha esgotado o seu projeto, que estava cumprida a sua missão de proclamar uma nova atitude face à vida e à política.

A revista perfez um ciclo – nasceu na Primavera, morreu no Outono, 4 anos volvidos -, mas o seu apelo a uma utopia radical, em favor de um repensar dos fundamentos da vida, propagou-se e deixou sementes.

EXPOSIÇÃO 
A RAIZ & UTOPIA QUE O 25 DE ABRIL TROUXE – ESPÓLIO DE UMA REVISTA QUE SONHA E QUE PENSA  
1 de abril a 3 de maio
 | Dias úteis, das 10h às 13h e das 14h às 17h
CNC – Sala Sophia de Mello Breyner Andresen e Francisco de Sousa Tavares
Entrada livre 

DEBATE 
O MANIFESTO DA REVISTA RAIZ & UTOPIA, AGORA
Com a participação de Carlos Laranjo Medeiros, Maria Bello, Rita Azevedo Gomes, Vasco Rosa e moderação de Guilherme d’Oliveira Martins
18 de abril, 18h
CNC – Sala Sophia de Mello Breyner Andresen e Francisco de Sousa Tavares
Entrada livre mediante a capacidade da sala 

>> Leia aqui o “Manifesto da Raiz & Utopia”

 


 

Testemunhos de quem criou e colaborou na Revista:

Em 2024

Carlos Medeiros

Rita Azevedo Gomes

 
Mário Baptista Coelho

Carlos Medeiros


Em 2007

Gonçalo Ribeiro Telles

Regina Louro


Eduardo Lourenço


Em 1979

Helena Vaz da Silva